Pesquisadores do Instituto Mamirauá usam drones para monitorar botos da Amazônia

Biodiversidade

Pesquisadores do Instituto Mamirauá usam drones para monitorar botos da Amazônia

Na segunda expedição para testes, equipamentos usados em parceria com WWF-Brasil percorreram 110 km de rios e lagos da Amazônia, resultando na gravação de mais de 10 horas de material. Para os pesquisadores, drones têm facilitado e tornado mais ágil a obtenção de dados sobre os botos. Imagens serão usadas para corrigir método tradicional de contagem.

Por Ascom do MCTIC

Publicação: 29/06/2017 | 10:26

Última modificação: 04/07/2017 | 14:50

A bordo das "voadeiras", pesquisadores realizam novos testes para contagem de botos em trechos de rio usando drones.

Crédito: Instituto Mamirauá

Pesquisadores do Instituto Mamirauá e do WWF-Brasil concluíram a segunda expedição para testar a contagem de botos da Amazônia com drones. Durante cinco dias, mais de cem observações de botos-vermelhos (Inia geoffrensis) e tucuxis (Sotalia fluviatilis) foram registradas nos longos trechos percorridos do rio Jarauá, no interior das Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã.

Habitantes de águas turvas, os botos amazônicos são difíceis de serem vistos e estudados em natureza. As aparições na superfície, momento em que respiram, são rápidas, revelando apenas partes da sua anatomia, o que representa um enorme desafio para os pesquisadores na missão de planejar estratégias de conservação desses animais. Por isso, os drones se apresentam como uma alternativa tecnológica viável para o monitoramento das espécies.

"Para a pesquisa, o uso de drones é um avanço muito grande, que tem facilitado e tornado muito mais ágil a obtenção de resultados sobre os botos", avalia a pesquisadora Miriam Marmontel, líder do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos da Amazônia do Instituto Mamirauá.

Método

A bordo de pequenos e velozes barcos a motor, popularmente conhecidos como "voadeiras", os pesquisadores fizeram novos testes para contar botos em trechos de rio. Três observadores percorrem os rios nas voadoras: dois na proa (frente do barco) e um na popa (no fundo). São eles os responsáveis por olhar e registrar avistamentos de botos, que é a maneira tradicional de contagem, a 100 metros de uma das margens do rio.

Do alto, a 20 metros acima das cabeças dos pesquisadores, sobrevoa o drone, cujo controle é feito por outra equipe em uma segunda voadeira. Juntos, cientistas e máquinas realizam um trajeto de dois quilômetros ao longo da margem, chamado de "transecto", em tempo e velocidade iguais. Cada teste dura em média 13 minutos, quando é feito o pouso e a troca de bateria do drone, e um novo transecto começa.

No total, os drones percorreram 110 km sobre rios e lagos na Amazônia, resultando na gravação de 50 vídeos, com cenas inéditas de observação e comportamento de botos, somando mais de dez horas de material para análise.

"Estamos fazendo um experimento mais controlado, para tentar utilizar as imagens do drone como um fator de correção do método tradicional, que a gente usa para estimativa populacional de tucuxis", explica a pesquisadora Daiane da Rosa, também do Instituto Mamirauá. "Essa tecnologia pode elucidar alguns pontos que, durante a observação, nós não conseguimos, como a formação de grupos de botos, o tamanho do grupo ou se duas ou três observações vistas pela proa podem são o mesmo grupo de indivíduos."

Os testes fazem parte do projeto Ecodrones, que utiliza as aeronaves não tripuladas para monitoramento de vida silvestre em diversas regiões do Brasil. Na Amazônia, a investigação com botos é pioneira e mira um problema para a conservação das espécies: a carência de dados sobre densidade e a abundância desses animais. Na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (em inglês, IUCN), o tucuxi e o boto vermelho aparecem como "dados insuficientes", pela falta de informações como estimativas populacionais e taxas de mortalidade e natalidade.

Fonte: Instituto Mamirauá