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Tecnologia nuclear do Ipen já foi aplicada em 20 mil objetos e bens culturais no Brasil

Energia Nuclear

Tecnologia nuclear do Ipen já foi aplicada em 20 mil objetos e bens culturais no Brasil

Radiação gama é usada para proteger quadros, livros, esculturas, instrumentos e mobílias da destruição provocada por fungos e insetos. "A radiação tornou-se essencial para o nosso processo de conservação", afirma pesquisador.

Por Ascom do MCTIC

Publicação: 17/04/2017 | 18:28

Última modificação: 25/04/2017 | 14:51

Pesquisador Pablo Vásquez aponta o clima, a umidade e os desastres naturais como fatores de risco para a preservação. Alta diversidade de fungos e cupins no país também representam perigo para os objetos históricos.

Crédito: Ipen

A tecnologia nuclear já permitiu a preservação de 20 mil peças culturais, incluindo obras de artistas brasileiros como Tarsila do Amaral, Anita Malfati, Di Cavalcanti, Candido Portinari e Alfredo Volpi. Usando a radiação gama, os pesquisadores estão conseguindo eliminar fungos e insetos, protegendo acervos e bens culturais. A tecnologia será apresentada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) durante a Conferência de Cooperação Técnica da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que será realizada entre 30 de maio a 1o de junho, em Viena, na Áustria.

"O problema no Brasil é o clima, a umidade e os desastres naturais. Temos uma quantidade maior de fungos e cupins do que outros países, e eles podem ser destrutivos para livros, pinturas, peças de madeira, móveis, esculturas e arte moderna", explica o pesquisador Pablo Vásquez, coordenador do Irradiador Multipropósito de Cobalto-60 do Centro de Tecnologia das Radiações do Ipen, que é ligado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), autarquia vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Segundo Vásquez, cada peça recebe uma dose específica de radiação para evitar danos. Esta quantidade é definida após cuidadosa análise feita por meio de diferentes técnicas, incluindo radiografia, fluorescência e difração de raios X. Em alguns casos, as técnicas revelam detalhes "escondidos", como o tipo de pigmento que o artista usou, o que ajuda a identificar o método de preservação mais adequado. 

"Artistas modernos dificilmente usam apenas um tipo de material em suas obras, o que torna desafiadora a definição da dose de radiação", afirma o pesquisador. 

Ele lembra que a tecnologia também já foi usada em livros, mobílias de vários museus brasileiros e instrumentos musicais, destacando que as obras não são expostas à radiação, pois podem ser mantidas em caixas fechadas. "A tecnologia de radiação tornou-se parte essencial do nosso processo de conservação. Juntando esse dois mundos, estamos preservando nossa herança e descobrindo detalhes do nosso passado de uma maneira que nunca tínhamos feito antes", afirma o pesquisador. 

Ele conta que o Ipen deve receber, do Equador, três múmias que foram atacadas por insetos e fungos. "Estou contente que especialistas e organizações internacionais estejam colocando cada vez mais importância na preservação do patrimônio cultural, porque nosso patrimônio é o que representa a identidade da nossa nação. Devemos continuar a trabalhar para protegê-lo", defende.

Fonte: MCTIC