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Cooperação vai potencializar a construção de conhecimento sobre o Atlântico, diz ministro

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Cooperação vai potencializar a construção de conhecimento sobre o Atlântico, diz ministro

Gilberto Kassab assinou a Declaração de Belém, documento que define um conjunto de ações para o desenvolvimento de pesquisas conjuntas entre Brasil, União Europeia e África do Sul sobre mudanças climáticas e biodiversidade.

Por Ascom do MCTIC

Publicação: 13/07/2017 | 00:53

Última modificação: 18/07/2017 | 09:30

O ministro Gilberto Kassab assinou a Declaração de Belém ao lado do comissário europeu para Pesquisa, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, e a titular do Departamento de Ciência e Tecnologia da África do Sul, Naledi Pandor.

Crédito: Ascom/MCTIC

Brasil, União Europeia e África do Sul firmaram nesta quinta-feira (13) um documento de intenções para integrar atividades de pesquisa das nações que compartilham as águas do Oceano Atlântico. A cerimônia de assinatura da Declaração de Belém, em Portugal, teve a participação do ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, o comissário europeu para Pesquisa, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, e a titular do Departamento de Ciência e Tecnologia da África do Sul (DST, na sigla em inglês), Naledi Pandor.

Para Kassab, a cooperação representa um marco nas relações entre os países e fomentará o desenvolvimento científico a partir do trabalho conjunto dos pesquisadores. "Quero saudar essa parceria e afirmar a disposição do governo brasileiro e de nosso ministério em prol de uma ampla cooperação. A ciência é transversal e tem papel fundamental para sustentar nosso progresso. Vamos trabalhar juntos, somar nossos potenciais e empreender esforços em busca do conhecimento e do desenvolvimento científico", afirmou.

O plano científico (disponível aqui) foi construído pelo Brasil e pela África do Sul, focado no aprofundamento da cooperação em pesquisa no Atlântico Sul e Tropical e em outros oceanos austrais. O documento destaca a relevância do oceano para as economias e sociedades dos dois países, diante da influência marinha no clima e, consequentemente, em atividades de agropecuária, mineração, pesca e aquicultura, transporte e turismo. O documento reforça, ainda, a necessidade de conhecer melhor o papel das porções meridional e tropical do oceano nas mudanças climáticas de ambas as nações, dos continentes vizinhos e do planeta.

São identificadas três áreas-chave para a parceria: mudanças climáticas, controle de processos de variabilidade de ecossistemas e recursos marinhos vivos e minerais, a exemplo da biodiversidade. A geografia sul-africana favorece a abrangência dos desafios a serem compartilhados, já que o país se localiza na confluência de três sistemas oceânicos – Atlântico, Índico e Antártico.

A iniciativa de aprofundar a cooperação bilateral envolveu, nos últimos dois anos, esforços de equipes ligadas ao MCTIC e ao DST, com apoio de pesquisadores. A decisão de liderar a colaboração internacional em pesquisa no Atlântico Sul partiu de workshop realizado em outubro de 2015, em Brasília (DF), junto a representantes de Angola, Argentina, Namíbia e Uruguai.

Em ação

Kassab ressaltou os esforços empreendidos pelo Brasil em pesquisa oceânica por meio do Navio de Pesquisa Hidroceanográfica Vital de Oliveira e da construção da nova Estação Antártica Comandante Ferraz. O ministro também enfatizou que o país está aberto a desenvolver outras cooperações científicas em nível global.

"Exploramos e coletamos um amplo conjunto de informações sobre o Atlântico. O Vital de Oliveira é uma unidade de pesquisa de alta tecnologia e está empreendendo um grande mapeamento de diferentes parâmetros em segmentos do Oceano Atlântico, contribuindo com uma infinidade de pesquisas científicas. A Estação Comandante Ferraz será um importante centro de pesquisas para diferentes áreas, com impacto efetivo na ciência brasileira e internacional. Cito esses dois exemplos e afirmo nossa total disponibilidade em fazermos intercâmbios de informações e ações articuladas."

O ministro Gilberto Kassab esteve acompanhado do secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTIC, Jailson de Andrade, e do coordenador-geral de Oceano, Antártica e Geociências, Andrei Polejack.

Reunião bilateral

Ainda nesta quinta-feira, Gilberto Kassab teve uma reunião bilateral com o ministro português da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, sobre a cooperação e o compartilhamento de grandes infraestruturas científicas nos dois países, notadamente a nova fonte de luz síncrotron brasileira, Sirius, que está em construção no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas (SP), e o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL, na sigla em inglês), instalado em Braga.

Os ministros também trataram da ampliação do intercâmbio de conhecimento e de pesquisadores em ciências e tecnologias oceânicas e espaciais; sistemas e redes de energia, buscando maior integração das fontes renováveis; mobilidade; e nos setores agroambiental e de biotecnologia.

"Essa parceria com Portugal é muito importante para o Brasil. Temos uma longa história de cooperação, e nosso encontro foi para ampliar esse trabalho conjunto para beneficiar nossos países", afirmou Kassab.

Os dois ministros acertaram para novembro um encontro, em Florianópolis (SC), para debater a participação brasileira no Centro Internacional de Pesquisa dos Açores (AIR Center, na sigla em inglês), projeto de cooperação científica e tecnológica com foco em mudanças climáticas, espaço, pesquisa oceânica e energia, do qual participam 30 países.

Fonte: MCTIC