Pesquisadores avaliam papel das florestas de várzea da Amazônia na absorção de carbono

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Pesquisadores avaliam papel das florestas de várzea da Amazônia na absorção de carbono

Estudo, desenvolvido no Instituto Mamirauá, pode melhorar as estimativas globais sobre sequestro de carbono e subsidiar políticas de mitigação de efeitos climáticos causados pela emissão de carbono por degradação ambiental. "Queremos refinar esses números e dar um retorno para a comunidade cientifica do que acontece nesses ambientes de florestas alagáveis", afirmou o pesquisador Jefferson Ferreira.

Por Ascom do MCTIC

Publicação: 25/04/2017 | 00:37

Última modificação: 26/04/2017 | 17:27

Pesquisador Jefferson Ferreira colhe amostras de serrapilheira que servirão para auxiliar na construção do estudo.

Crédito: Instituto Mamirauá

Uma pesquisa realizada no Instituto Mamirauá pretende estimar o papel das florestas de várzea da Amazônia na absorção de carbono. Para isso, seis "amostras" de floresta estão sendo monitoradas para medir os diferentes níveis de inundação. Além disso, os pesquisadores estão coletando amostras de serrapilheira, que é a matéria orgânica depositada na floresta, composta por folhas, galhos, flores e frutos, para decifrar como a floresta devolve o carbono absorvido em forma de gás da atmosfera. 

"Hoje, há uma grande discussão sobre mudanças climáticas e sabemos que a Amazônia é, de um modo geral, um sumidouro de carbono atmosférico. Ela sequestra e armazena parte significativa do carbono da atmosfera, que está causando uma mudança no clima. Mas os dados são da Amazônia como um todo. Se formos considerar as florestas alagáveis, temos apenas uma aproximação, uma suposição. Então, queremos refinar esses números", explicou o pesquisador Jefferson Ferreira-Ferreira.

O estudo também conta com a análise de imagens de satélite. "A ideia é compreender como diferentes regimes de inundação influenciam a produtividade de um mesmo tipo florestal e captar essa heterogeneidade da paisagem. Uma vez que conseguimos mapear a duração da inundação e as fitofisionomias para áreas maiores, conseguimos expandir este dado, que a gente está olhando só localmente e em campo, para áreas maiores", afirmou Jefferson. 

Eventos extremos

De acordo com o pesquisador, uma importante contribuição da pesquisa será o desenvolvimento de uma modelagem da inundação na região contemplada pelo projeto. A partir disto, será possível prever o período e o nível de inundação das áreas, o que contribuiria para o desenvolvimento de medidas para o planejamento das atividades econômicas praticadas pelas comunidades ribeirinhas. 

Isso será possível com base em análises estatísticas dos dados de monitoramento do nível da água realizado, desde 1999, pelo Instituto Mamirauá na unidade de conservação. "Se este modelo de inundação evoluir como estamos esperando, ele poderá ser usado para muitas coisas como, por exemplo, o manejo madeireiro ou para saber se os lagos estão conectados ou acessíveis num determinado momento do ano e planejar a pesca."

Anéis de crescimento

Outra metodologia utilizada pela pesquisa é a dendroecologia – análise das informações ecológicas contidas nos anéis de crescimento de algumas espécies de árvores. Com as amostras da madeira, é possível reconstruir a história do crescimento das árvores e também obter informações sobre o ambiente. "Na literatura, temos uma lista de mais ou menos 80 espécies cujos anéis de crescimento são marcados pela inundação. Vamos selecionar as espécies que ocorrem ao redor das parcelas que instalamos, para amostrar os anéis de crescimento", disse.

Para Jefferson Ferreira, a pesquisa pode melhorar as estimativas globais sobre sequestro de carbono e subsidiar políticas de mitigação de efeitos climáticos causados pela emissão de carbono a partir da degradação ambiental. "Queremos refinar esses números e dar um retorno para a comunidade cientifica do que acontece, afinal, nesses ambientes de florestas alagáveis", completou.

A pesquisa é realizada no Instituto Mamirauá e conta com a colaboração de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), da Escola de Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo, da University of California Santa Barbara e da Jet Propulsion Laboratory da National Aeronautics and Space Administration (Nasa). O estudo é realizado com o financiamento da National Geographic Society e da Nasa.

Fonte: MCTIC